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Capri Online Nº 58

16 de Março de 2021

PROCESSO DE ACASALAMENTO DE PÁSSAROS DE RODA

Por: Edilson Guarnieri

Nessa matéria iremos abordar, generalizadamente, métodos de manejo e processos de acasalamento de pássaros de roda.

Em matéria especifica desse assunto relacionado com bicudos, contaremos com um artigo do nosso amigo Aloísio Tostes. Então vamos partir de um início que você possui uma ave de potencial e quer testá-la na roda. Já foram observadas as qualidades de velocidade, retomada, extrema fibra, e é um pássaro que precisa de um aporte para que vá à roda com mais segurança, e possa obter uma performance melhor. Naturalmente será tentado um acasalamento com ele.

 

E como descobrir qual é a melhor fêmea para aquele macho? Porque existe a individualidade de cada ave, e nem sempre uma fêmea que pode ser boa para um, será para outro. Uns gostam de fêmeas mais quentes, outros de mais frias, e isso o criador deverá descobrir.
 

O bicudo “Jequitibá” também teve o óbito de sua fêmea e ficou algum tempo sem cantar. Foi então quando seu proprietário Wagner Triginelli, passou ele numa parede com muitas paredes, mostrando a gaiola fêmea por fêmea, até que para uma fêmea ele descarregou, saiu cantando, e logo escolheu essa fêmea. Outro exemplo é o coleiro “Fantoche” é um coleiro que gosta de fêmea mais frias, mansas. E a mexida dele é soltar junto com a fêmea alguns minutos antes de ir para a roda. Todas as outras mexidas não foram tão eficientes em seus resultados.

 

Quando uma ave possui uma fêmea por alguns anos, e a fêmea morre, existe um luto, e esse luto é um período que deve ser respeitado. Nesse caso o acasalamento fica mais difícil, e a paciência deve ser maior ainda. Sabemos de casos de grandes aves que por causa disso tiveram seu rendimento extremamente baixo e algumas nunca mais voltaram a ser o que eram nas rodas. Dentro desse princípio, fica a proposta dessa matéria, e que os criadores tomem muita atenção também com os cuidados com a fêmea, alimentação, manejo e consultas regulares ao veterinário. Porque praticamente a ave que é um campeão de roda, faz um conjunto com sua fêmea, e a perda de um será implicada praticamente como a perda dos dois. O casal será desfeito e provavelmente a performance da ave durante o luto será muito comprometida.

 

Em todo esse processo devemos evitar soltar junto com as fêmeas, pois existem machos bravos e fêmeas bravas. Toda vez que for escolhida uma nova fêmea, aconselhamos que se faça exames clínicos, através de um médico veterinário ou exame de fezes. Esse tipo de ação é um seguro para a ave competidora e também para sua fêmea, e caso haja algum problema, essa relação mais próxima entre o novo casal poderá facilitar a contaminação por um algum eventual patógeno que esteja manifestado, ou mesmo escondido, incubado em algum dos dois.

Naturalmente, um dia, todos os passarinhos virão a óbito, e pode ser que uma fêmea venha a óbito antes do macho. Então outra dica que podemos dar, é produzir um material digital dessa fêmea. Grave filmes da fêmea em diversos ângulos, com ela piando, pulando e voando, em momentos de uma vida normal, juntamente com o áudio de seus chamados e pialados. Esse material pode ser utilizado no futuro como uma ferramenta extra no manejo de seu passarinho. Então que fique registrado essa dica importantíssima, para uma eventual falta da fêmea, você pode reproduzir os vídeos para o macho ter uma melhora de resultado na roda.
 

É incrível, por experiência própria, como os pássaros reagem a vídeos e imagens de outros pássaros, mesmo reproduzidos por celular. Eles têm uma impressão extremamente real, como se estivessem literalmente vendo pássaros vivos. Outra tentativa que pode ser feita, é um intercalar de fêmeas. Mas é claro, observando o resultado com o macho, trocando as fêmeas a cada viagem, a cada torneio, a cada final de semana. Isso fará com que o macho se sinta poligâmico, que possui várias fêmeas, e na eventual falta de alguma fêmea isso não implicará numa queda de performance, pois ele já estaria acostumado com uma substituta.

 

A reprodução do vídeo durante um processo de acasalamento pode ser algo extremamente interessante. Porque se você mostrar uma nova fêmea para o passarinho e naquele momento reproduzir o som da antiga, daquela que ele era apaixonado, ele pode associar essa nova fêmea à sua antiga – e isso seria um estimulo positivo, pois eles agem por instinto e condicionamento, e é o que tempos de fazer com elas, controlar seu condicionamento.

 

As fêmeas sempre devem ter seu peso controlado, pois o peso faz com que elas fiquem mais ativas ou menos ativas. E isso pode, com o tempo, se houver um ganho de peso, fazer com que o comportamento dela seja comprometido, e seu macho terá a performance também comprometida. Muitas vezes o passarinho deixa de cantar e seu rendimento diminui. O criador não sabe o que houve pois não fez nada de diferente, nada de errado, mas seus passarinhos mudaram o comportamento por questões biológicas. Ganho de peso pode ser muito prejudicial, sem contar que também prejudica a saúde da ave. Sendo assim, esse controle de peso, também deve ser feito com o macho, já que o pássaro de roda deve ter o treinamento e condicionamento de um atleta, para que durante as 4 ou 5 horas de competição ele venha a se cansar muito pouco. Devemos lembrar que os passarinhos que ganham a roda são os que se cansam menos. A fadiga é o fator determinante no resultado de um torneio.


 

A relação da Testosterona no comportamento reprodutivo

O que leva um macho com reputação de monogamia e comportamento paternal a colocar em risco seu relacionamento primário e sua prole, ao solicitar a atenção de outras fêmeas?

 

Seria aqueles hormônios em fúria, neste caso, o hormônio sexual testosterona, que minam o interesse do macho em cuidar de seus filhos?

 

Normalmente, em espécies monogâmicas, o nível de testosterona do macho atinge o pico na primavera, quando a principal tarefa do pássaro é atrair um parceiro adequado. Os níveis sanguíneos do hormônio caem quando os ovos da fêmea eclodem e a principal tarefa do macho passa a ser defender o ninho e proteger os filhotes.

 

Mas entre os machos poligâmicos, que que cortejam tantas fêmeas quanto são capazes de atrair, os níveis de testosterona permanecem altos e a prole resultante dos vários acasalamentos é deixada em grande parte ou inteiramente aos cuidados de suas mães.


Essas observações levaram pesquisadores da Indiana University, da Ohio State University e da James Madison University a relatar que a testosterona pode ser diretamente responsável pelas diferenças entre várias espécies de pássaros na quantidade de esforço que os machos dedicam para atrair parceiras e cuidar dos filhotes. Os resultados foram relatados em The Proceedings of the Rotay Society of London Series B-Biological Sciences.

 

A testosterona demonstro aumentar a atratividade de um macho para as mulheres, aumentando sua atratividade física, taxa de canto e tamanho territorial. Os pesquisadores, chefiados por Samrrah A. Raouf, da Universidade de Indiana, se perguntaram se os altos níveis de testosterona prejudicavam ou aumentavam a capacidade do homem de transmitir seus genes através de seus descendentes sobreviventes.


Implantando minúsculos tubos de testosterona sob a pele de juncos machos em vida livre, normalmente monogâmicos, os pesquisadores conseguiram demonstrar que, quando os níveis de testosterona eram mantidos artificialmente, a prole produzida com parceiros primários não se saía bem, presumivelmente porque seus pais namoradores deram pouca atenção a eles.

 

Porém, descendentes suficientes resultantes dos acasalamentos “extraconjugais” estimulados por hormônios dos machos sobreviverem para compensar as perdas no ninho principal. Os pesquisadores relataram: “Este é um exemplo de uma troca fisiologicamente mediado entre o cuidado dos pais e o esforço do acasalamento”. Quando a estação reprodutiva acaba, as aves estão em um estado de repouso reprodutivo com estímulos refratários aos hormônios. O início da próxima estação reprodutiva começa com o aumento da atividade hipofisária, que é estimulada por mudanças nas condições externas, incluindo mudanças no fotoperíodo.

 

A secreção das gonadotrofinas pela hipófise promove o crescimento das gônadas e a produção de hormônios sexuais por elas.

Isso, por sua vez, junto com as condições externas apropriadas, estimula a primeira fase do comportamento reprodutivo, incluindo canto, briga, estabelecimento de território e namoro.

 

Muitas vezes, é apenas depois um período distinto de namoro que o comportamento de acasalamento e construção do ninho é mostrado. Como esses comportamentos costumam aparecer ao mesmo tempo, pode-se supor que ambos dependam da mesma condição interna e que esse seja provavelmente um nível bastante alto de secreção de hormônio sexual.

 

O tempo de construção também geralmente corresponde à fase final do desenvolvimento do ovário e do oviduto antes da postura, e também ao início do desenvolvimento do canteiro de cria.

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