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Capri Online Nº 62

23 de Julho de 2021

A importância do Manejo para o encarte do pintassilgo

Por: João Paulo Z. Ferreira

Quer saber os três passos para encartar e manter um pintassilgo metálico durante toda sua vida?

MANEJO, MANEJO E MANEJO.

Não depende do Pintassilgo.

Depende de nós.
 

Quando levamos em conta o padrão usual de pensamento “genética acima de estímulo”, automaticamente depositamos toda a chance de obter resultados através da genética. Sim, é essencial adquirir filhotes de criatórios que desenvolvem um trabalho genético visando o canto metálico, mas não podemos nos apoiar somente nisso para encarte de canto.

 

Temos que ter consciência que a genética é somente o começo. Quando pensamos em “fazer” um pintassilgo metálico, qual a primeira coisa que vem à mente?

 

“Vou adquirir um filhote criadouro X, pendurar na minha cozinha, colocar m melhor CD do Mercado e finalmente encartar um pintassilgo metálico!”

 

Esse seria o caminho óbvio, mas não é. Deixar a ave isolada em um ambiente sempre no mesmo lugar, ouvindo seu CD de uma aparelhagem que fica sempre no mesmo lugar, na grande maioria das vezes não funciona.

 

Por quê?

 

1ª ​Outras aves em sua casa podem influenciar no aprendizado e se você não aplicar alguma técnica de manejo suas chances diminuem.

 

2º A genética tem sido desenvolvida e aperfeiçoada por criadores e os filhotes estão cada vez melhor preparados para o encarte, mas ainda não existem criatórios 100% metálico.

 

Mesmo que o foco de trabalho de um criatório seja voltado para o metálico, sempre há machos galadores que não tem corridas perfeitas. Ao adquiri um filhote, este já ouviu de tudo: tanto corridas boas, como corridas com defeitos.

 

Isso explica o fato de você muitas vezes não conseguir encartar esse filhote isolado em sua casa, pois o que ele já absorveu nos primeiros dias ele vai carregar para o resto de sua vida. Aqui entra o manejo. A base do canto metálico ele já tem, cabe à você entrar em cena e assumir o protagonismo do encarte.

 

Para formar um grande jogador de futebol é preciso disciplina e treino. Não adianta ser filho do Pelé, tem que treinar, tem que querer evoluir, tem que buscar conhecimento.

 

Por isso, insisto em conversar com pintassilgueiros que o sucesso no encarte do metálico depende de mais treinamento. Aves carregam habilidades vocais como parte importante de sua comunicação.

 

Umas desenvolvem o canto mais que as outras. E nos pintassilgos, especificamente falando de magelanicos e yarrelliis (Tarins e Zantos também tem potencial para metálico), a carga genética com potencial metálico é grande.

 

Isso é comprovado pelo fato de pintassilgos metálicos aparecerem em criatórios distintos, sem histórico para o canto.

 

Como isso acontece?

 

É porque a carga genética para o metálico está presente não somente em famílias com histórico metálico ou bandos específicos, mas em toda a raça magelanico, yarrellii (com alguns grupos com maior potencial que outros).

Genética e estímulo se completam, mas sou particularmente inclinado a dar mais importância ao estímulo através do manejo, partindo do princípio que a genética já temos.

 

Como eu encarto um pintassilgo metálico?

 

Gosto de refletir sobre como as coisas acontecem na natureza para replicar em ambiente controlado.

 

Enquanto está no ninho, um filhote ouve o pai praticamente sempre da mesma distância, pois o pai está constantemente cantando nas proximidades. Quando ele sai do ninho, conforme busca sua independência, já não ouvirá somente o pai como terá contato e ouvirá diversos outros pintassilgos.

 

O artigo do professor de bioacústica do Instituto de Zootecnia da Unicamp SP, Dr. Jacques Vielliard – edição # 18 da revista Passarinheiros & Cia, que publiquei em minha primeira matéria em 2010, ajuda a elucidar a minha reflexão.

 

Quando perguntando quais seriam os períodos dos críticos de aprendizagem, o professor respondeu:

“Existem 3 períodos, são eles: Período de memorização – A fase em que o filhote forma a melodia na cabeça, é um período curto, normalmente no primeiro mês de vida.

Dura até os 40 dias de vida do filhote.

É justamente esse período que deve ser atendido pelos criadores...” “...para que suas aves não aprendam coisas erradas.

Nessas condições, o filhote vai ser receptivo quando o pai e os vizinhos ainda cantam.

Período refratório - É o período que a ave para de memorizar os cantos, pois a natureza, elas não cantam, pela troca de penas, a própria migração, enfim o baixo período de reprodução.

 

Daí ele fecha as porteiras para não pegar influências ruins. Período de cristalização – É aquele no qual ele memoria e vai praticar o que memorizou, vai fazer o controle motor, vai controlar a produção do som e ajustar tudo que está ouvindo. Nessa época, ele pode mudar um pouco o dialeto.”

 

NINHO

 

Ler as palavras do professor nos ajuda a pensar em um modelo de manejo para encarte. Nos primeiros quinze dias de vida, onde o filhote fica no ninho, podemos deixar o aparelho de som no mesmo ambiente onde a criação está (facilita se você tem uma criação enxuta e voltada para o canto).

 

Depois de sair do ninho, ele continua a procura da voz do pai ou do CD, mas passa a ficar curioso com os estímulos à sua volta prestando atenção à outros estímulos sonoros vindos do criatório.
 

DESMAME

 

Assim que separados da mãe, alguns criadouros deixam três ou mais indivíduos em uma mesma gaiola para que cantem menos e prestem mais atenção ao mestre ou CD. (diversos criadores trabalham com menores intervalos de descanso dos CDs nos primeiros dias de vida, pois os filhotes estão mais receptivos e vão formar as melodias em suas cabeças).

 

Neste momento é importante deixar os filhotes em um ambiente separado do criatório. Variar as posições de onde o estímulo vem é interessante.

 

Deixar o aparelho sempre próximo, pode ser que ele pare de prestar atenção à esse canto em algum momento e busque outro estímulo vindo de um lugar mais distante (uma novidade como o canto do canário do vizinho ou da Curruíra que passeia em sua propriedade).

 

Procure deixar um aparelho tocando o CD dentro do ambiente e outro fora.

 

APÓS MUDA DE NINHOS

 

Quando terminada a muda de ninho e os filhotes já estão separados cada um em sua gaiola, comece o trabalho de manejo de forma mais intensa (os intervalos de descanço dos CDs devem ficar maiores conforme as aves chegam à idade adulta, para que elas possam treinar seus cantos sem serem incomodadas pelo CD constantemente). Procure não deixar a gaiola por longos períodos em um mesmo local. Deixa o aparelho de som em um cômodo da casa e a gaiola em outro.

 

Depois volte a deixar os dois no mesmo ambiente, faça esse jogo de “esconde esconde” entre ele e o CD, para deixa-lo à procura constante do canto metálico e procure analisar como ele responde a cada estímulo que você proporciona.

 

Cada criador tem sua forma de trabalhar e por enquanto não temos uma fórmula. Quem sabe chegue o dia em que encontraremos um método que traga uma porcentagem mais acertiva.

 

Estudando vídeos de Curiozeiros no Youtube, percebi que eles estão bem mais adiantados que nós quanto ao manejo para encarte, trabalhando com capas, horários de exposição ao CD e tempo de descanso relacionados a idade da ave.

 

Apesar do curió ser uma ave territorialista e o pintassilgo não, o que pode trazer diferenças relacionadas ao manejo para encarte, podemos aprender bastante com eles.

 

Fonte: Revista Passarinheiros & Cia 110

www.passarinheirosecia.com.br/tv/

 
Imagem sem descrição.

As Incríveis Fêmeas Azulona

O segredo da criação começa, inevitavelmente, pela escolha certa das reprodutoras matrizes

Imagem:  www.wikiaves.com.br

Muito se tem falado sobre os Azulões nos últimos anos. A todo o momento, é um Azulão que desponta aqui, outro que surpreende dali. Um criador que tira uma quantidade enorme de filhotes, outro que tira filhotes de qualidade superior... enfim, a criação de Azulões tem dado um passo interessante, com a evolução das técnicas de manejo de alguns plantéis. O que não se pode deixar de considerar é que todo esse sucesso se deve, em grande parte, à qualidade ímpar de algumas fêmeas disponíveis nos galpões da criação doméstica.

 

A verdade é que a chave do sucesso de toda e qualquer criação passa pela qualidade das fêmeas Azulonas serão boas. Nem todas fêmeas Azulonas serão boas reprodutoras, e muito menos, boas criadeiras. Algumas sequer irão ter os cuidados básicos com seus filhotes, e caso não haja nossa intervenção e ajuda, jamais tornaríamos possível a sobrevivência destes. Lógico que irão existir aquelas exceções, com destaque para fêmeas com posturas superiores a 2 ovos, chegando muitas vezes, a 4 ovos por postura. Além deste desempenho de postura excepcional, algumas ainda irão demonstrar uma incrível habilidade materna, no trato com os filhotes, dispensando nossa ajuda nesta etapa. Tudo isso, somando ao domínio das novas técnicas de manejo, tem sido o divisor de águas na criação do Azulão em cativeiro.

 

Por muito tempo, o grande destaque no assunto sobre azulões tem sido os machos, pelo canto mavioso que apresentam pela graciosidade de sua bela plumagem, composta por um azul metálico intenso e cheio de brilho. Mas o que seria da criação doméstica sem as fêmeas? Aqueles que se empenhavam verdadeiramente em criar o Azulão, e principalmente, em criar com qualidade, devem saber o que essa questão aborda. É muito difícil se garimpar boas fêmeas entre os criadores legalizados. Alguém consegue imaginar um criador se desfazendo de sua melhor matriz?

 

IMPOSSÍVEL! Por essas e outras, sempre aconselho aos que iniciam, a formarem seu plantel adquirindo apenas filhotes, machos e fêmeas e sempre evitando mais de 2 exemplares do mesmo criador, a fim de se evitar, futuramente, problemas de consanguinidade. Isso sem falar na questão financeira, onde o valor de um filhote, é quase sempre, 1/3 do valor de uma ave adulta. Como então, escolher uma boa fêmea reprodutora a fim de se evitar as famosas “armadilhas” no início da criação?

 

O primeiro passo é escolher o criador ou criatório.

 

Procure se informar sobre o mesmo, sobre sua idoneidade, se é legalizado junto ao órgão regulador da atividade, sobre a questão da linhagem, qual qualidade genética o criador busca em seu criatório e sobre seu sistema de criação como um todo.

Feito isso, escolha as fêmeas filhotes com, no máximo, 1 ano a 1 ano e meio de vida, dando preferência àquelas que ainda não foram testadas.

 

Procure optar por aquelas que apresentem um bom porte, boa plumagem e sem defeitos físicos aparentes, no bico, principalmente. Algumas fêmeas apresentam variações no tom da plumagem e outras, detalhes brancos nas asas e caudas.

 

É uma aposta interessante, no sentido de se conseguir filhotes com alguma variação na plumagem, tipo mutação. Tenho conseguido vários exemplares em que as variações na plumagem formam uma combinação única e de extrema beleza. Em meu sistema de criação, as fêmeas ditas, “filhotas”, só irão se iniciar na reprodução a partir do 2º  ano de vida, quanto estarão completamente maduras e desenvolvidas. Assim que completarem dois anos de vida, elas são acondicionadas em gaiolas chocadeiras e irão para o galpão, onde passarão os próximos 6 meses se adaptando ao meio de criação e se preparando para o início da temporada de reprodução, quando finalmente, serão testadas.

 

Cada fêmea, a partir do momento que é transferida para o Galpão de criação, será avaliada no seu desempenho reprodutivo por 3 anos consecutivos e, findo estes, ela só será mantida no plantel caso tenha tido resultados concretos e satisfatórios.

No caso de resultados inexpressivos, sugiro o repasse destas fêmeas para criadores que as usem somente com a finalidade de “esquentar” os Azulões machos de suas criações.

 

O importante é dar ciência do motivo pelo qual está se desfazendo de tais fêmeas, a fim de se evitar algum mal entendido no futuro, preservando a integridade de seu criatório junto à classe de passarinheiros. Muito cuidado também ao se adquirir fêmeas de criadores que se dizem “experts” no assunto, quando na verdade, possuem plantéis limitados, com poucas aves, consequentemente, pouca ou nenhuma experiência no manejo e nas particularidades do dia a dia com a espécie.

 

É um conselho bastante útil, se levarmos em consideração que o conhecimento acumulado é o principal diferencial em toda e qualquer criação.

 

Fica aí, mais essa dica. Enfim, formando o plantel, é gora de se observar os pássaros diariamente, com muita atenção. Somente após muita observação é que cada criador será capaz de desenvolver sua prioridade que envolvem cada aspecto da criação, assim como o melhor sistema de manejo a ser adotado em suas instalações. Trate bem de suas matrizes e terão êxito em suas criações na temporada de reprodução.

 

Fonte: Revista Passarinheiros & Cia Nº67

www.passarinheirosecia.com.br/tv/

 

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