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Capri Online n°46

16 de Dezembro de 2019

Passarinheiro e cia

Os indivíduos machos apresentam uma coloração marrom, com um boné, asas brancas, as fêmeas são de cor marrom e são pardas. Os machos, enquanto jovens, são pardos da mesma cor das fêmeas e se confundem com elas. Estes geralmente adquirem a coloração característica da espécie após a muda dos 8-9 meses.

Habitam em campos com capim, gramíneas, pastos, cerrados abertos e áreas de beira de açudes, riachos, onde encontram seu principal alimento que são sementes de capim. Igualmente a outras espécies, eles se separam em casais para o período reprodutivo e não gostam da presença de outros casais ou indivíduos de sua espécie, ou mesmo de outra.

Os ninhos são em forma de taças e construídos com raízes de capim e de gramíneas, talos de capim e pelos de crina e rabo de animais.

Constroem em galhos de árvores, arbustos ou, ainda, unindo talos de capim formando uma delicada construção bem próxima ao chão, com altura aproximadamente 40-50cm.

Fazem posturas que podem ser de 2 ou 3 ovos, de cor branca-acinzentada com manchas marrons. As fêmeas chocam seus ovos por um período de 12 dias, e após o nascimento os filhotes são alimentados pelos pais com sementes, larvas de inseto bem como por insetos adultos.

Passado o período reprodutivo, juntam-se em grupos adultos e filhotes, e também podem ser vistos com pássaros de outras espécies, como papa-capim e golinha. Durante esse período de descanso, os caboclinhos realizam a troca de penas, e os machos apresentam uma de suas maiores curiosidades.

Estes adquirem uma plumagem parda semelhante das fêmeas e a cor do bico também muda de cor, passando de preto para amarelado. Aos poucos, ele vai retomando a cor característica até a chegada do próximo período de reprodução.

Seu canto é melodioso e existem muitos dialetos. Os cantos mais conhecidos são o Oiti e o canto Dó, ré, mi este último é o mais apreciado.

Nele, o pássaro emite sons reproduzindo a escala musical de Dó (Dó, re, mi, fa, sol, la, si dó). Variam desde um canto simples, com somente 3-4 primeiras notas, até os mais complexos. No Ceará, os caboclinhos participam dos torneios de canto nas modalidades canto livre e Dó, ré, mi.

Sua criação em ambientes domésticos é regulamentada pelas instruções normativas do IBAMA.

 

Nestes ambientes, destacam-se por serem alegres, gostarem de passeios e banho de sol, e por possuir um canto muito bonito e melodioso. São aves de fácil manejo e que vivem muito anos quando lhe proporcionam um bom trato.

Reproduzem-se com muita facilidade e as fêmeas são ótimas mães, servindo por vezes de amas para outras espécies, inclusive espécies maiores, como por exemplo, o curió.

Em ambientes domésticos, também fazem postura de 2-3 ovos e são incansáveis a criação de seus filhotes. Estes são espertos e começam a bicar a farinha a partir do 20º dia de nascido.

Geralmente com 25 dias, os filhotes precoces iniciam seus primeiros assovios, mas isso ainda não garante que ele seja macho, já que é comum as fêmeas emitirem cantos.

 

Fonte: Revista Passarinheiros & Cia Ed. n°80

 

AMEAÇAS E MEDIDAS PARA CONSERVAÇÃO DAS AVES DE RAPINA DO BRASIL

Por: Willian Menq
 

Foto: Aisse Gaertner. Fonte da imagem: WikiAves. Fonte;  

Muitas espécies de aves de rapinas encontram-se ameaçadas de extinção em decorrências de diversos fatores de origem antrópicas. Das 99 espécies rapinantes existentes no Brasil, 35 encontram-se ameaçadas de extinção ou em uma ou mais listas regionais, e 15 ameaças ou quase ameaçadas nacionalmente.

 

PERDA E FRAGMENTAÇÃO DOS HABITATS 

A perda dos habitats representa uma das maiores e mais impactantes ameaças às aves de rapina do Brasil. Cada vez mais novos espaços naturais vêm sendo ocupados por atividades humanas, alterando ambientes e exigindo uma plasticidade às perturbações que muitas espécies de rapinantes não apresentam.

A descaracterização, redução drástica ou supressão de remanescentes florestais, campos naturais e cerrados têm eliminado os ambientes utilizados por essas aves de rapina do Brasil assim como suas presas, ocasionando o desaparecimento em locais originalmente habitados por elas. Dentre as atividades antrópicas, a agricultura, silvicultura, pecuária, corte seletivo de madeira e a especulação imobiliária são as que mais reduziram/alternaram os ambientes naturais das aves no país. 

Christopher Borges. www.avesderapinabrasil.com

 

CAÇA E PERSEGUIÇÃO  

 

A caça contra os rapinantes ainda é bastante frequente no Brasil. Os motivos que levam as pessoas a abaterem aves de rapina são diversos, vai desde alimentação ao lazer. Em muitas regiões, fazendeiros atiram contra gaviões e carcarás que temem ataques contra suas criações domésticas. Esse hábito de abater rapinantes está tão disseminado entre a

população rural que, mesmo que encontra aves distantes, sem representar riscos à suas criações, as abatem com o objetivo de evitar perdas futuras. Outro hábito comum é o de abater aves de rapina apenas por curiosidade, por “esporte” ou como troféus. As espécies de porte avantajado são as que mais sofrem com esses abates indiscriminados. 

No norte do Brasil, sabe-se que algumas comunidades ribeirinhas abatem gaviões para o consumo humano. Há também, comunidades isoladas que abatem rapinantes possantes, como o gavião-real (Harpia harpyja), por temerem ataques contra crianças. Obviamente não é verdade, nenhuma espécie de rapinante ataca crianças.

As consequências da caça e perseguição nos ecossistemas e nas populações das espécies são desastrosas, já que a perda de indivíduos causa uma série de desiquilíbrios ecológicos. O abate pode eliminar indivíduos adultos com territórios estabelecidos e em pleno vigor reprodutivo, representando uma grave ameaça as espécies de populações 

naturalmente baixas e de reprodução lenta, como é o caso das águias dos gêneros Spizaetus, Harpia e Morphnus.

A médio prazo, pode ocasionar deterioração genética ou extinções regionais dessas espécies.

 

SUPERSTIÇÕES E CRENDICES POPULARES

Comunidades carentes de áreas rurais e urbanas são influenciadas por lendas e tradições folclóricas que associam corujas e alguns gaviões a sinais de azar, morte ou mau agouro. O canto do acauã (Herpetotheres cachinnans) por exemplo, é interpretado como sinal de morte eminente. A coruja-suindara (Tyto furcata), na maioria das vezes, são vistas pela população como animais de mau agouro, demoníacos. Dessa forma, muitas espécies são desprezadas ou exterminadas em função do medo e do preconceito. O comportamento, a aparência, vocalização lúgubre e as incríveis habilidades de caça e voo das aves de rapina dão margem a tais associações.

Dessa forma, muitas espécies são desprezadas ou exterminadas em função do medo e do preconceito. O comportamento, a aparência, vocalização lúgubre e as incríveis habilidades de caça e voo das aves de rapina dão margem a tais associações.

TRÁFICO E CAPTURA ILEGAL

Muitas espécies brasileiras são cobiçadas por colecionadores e criadouros ilegais do mundo afora. Além do declínio populacional ocasionado pela retirada das espécies na natureza, as aves são transportadas vivas e sofrem maus-tratos, desidratação, fraturas e doenças, muitas vezes indo à óbito. Embora as espécies mais traficadas sejam papagaios e pequenos pássaros, alguns gaviões e corujas podem ser encontradas em feiras livres pelo país. Outra prática comum é a de coletar filhotes de gaviões no ninho para criá-los ilegalmente como pet.

MEDIDAS PARA CONSERVAÇÃO

 A conservação das aves de rapina depende de um esforço conjunto da comunidade, pois diferentes formas de impacto contribuem para o declínio das espécies. As medidas mais importantes e urgentes para preservar os rapinantes consistem na proteção de seu hábitat, através das unidades de conservação; a conectividade entre as áreas preservadas, permitindo a permuta gênica entre populações anteriormente isoladas, assim como a colonização espontânea de locais onde eventualmente tenha se extinguido; e aumento da fiscalização nas áreas protegidas. Tão importante quanto a proteção e a fiscalização das áreas preservadas, é o desenvolvimento de estudos científicos com o grupo. Pesquisas voltadas à biologia e ecologia das espécies e a busca de novas populações permitiria inferir na distribuição e conservação de muitas aves de rapina. Projetos de manejo e reintrodução também são fundamentais para salvar populações que estão à beira da extinção, como é o caso da harpia (H. harpyja) na Mata Atlântica. Já a educação ambiental está entre os instrumentos mais importantes e efetivos para promover a conservação das aves e da natureza. O site Aves de Rapina Brasil é também um agente educador que busca, através das publicações no site, artigos e palestras, divulgar e sensibilizar a comunidade sobre a importância das aves de rapina, sua história natural e as espécies de nosso país, afinal: não há conservação sem conhecimento.

 

Refêrencia:

 

Menq, W. (2017) Ameaças e conservação das aves de rapina - Aves de Rapina Brasil. Disponível em: < http://www.avesderapinabrasil.com/materias/ameacas_medidas.htm >Acesso em: 3 de Dezembro de 2019. 

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